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Impactos Ambientais do descarte inadequado do óleo de cozinha

olive-oil-1170x500Atualmente, com uma falta de controle de informação de campanhas relacionadas ao descarte do óleo de cozinha, é extremamente comum a dúvida sobre onde descartar o óleo após seu uso. Destinos comuns, porém equivocados, e que podem causar grandes impactos ambientais, são, por exemplo, os ralos – sejam de pias, de bueiros, ou até vasos sanitários. Esses afetam principalmente a rede de esgoto e canos, afirmação que será detalhada nos próximos tópicos da pesquisa. Além dos ralos, é também expressivo o número de pessoas que descartam o óleo usado nas próprias lixeiras, na terra ou em meios que depois vão entrar em contato com a terra nos lixões ou aterros. Isso impermeabiliza o solo, afeta lençóis freáticos, muda o ph do lixo doméstico e do solo em contato, favorece o aparecimento de ratos e outros animais, ocasionando muitos outros impactos negativos para a natureza e para o ser humano.

Impacto nos ambientes marinhos   

Os ambientes marinhos são muito afetados pelo descarte de óleo, especialmente porque são um dos principais fins dele, pois há um grande número de pessoas que o descarta na pia ou nos vasos sanitários, dos quais o fim, quando não estações de tratamento, pode ser diretamente rios, lagos e oceanos. Além disso, a jogada do óleo de cozinha no lixo (outro meio incorreto de descarte do óleo de cozinha) também pode afetar indiretamente a água por meio da infiltração no solo – no caso de lixões e aterros sanitários, que, no Brasil são o destino de 41,6%, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 -, afetando, portanto os lençóis freáticos, que podem depois abastecer cidades e ser importantes para o ecossistema da região.

Tratando esses problemas nos ambientes aquáticos de maneira mais detalhada, inicialmente percebe-se os impactos em níveis de eutrofização, morte de animais e plantas, desequilíbrio de ecossistemas, entre outros.

Inicialmente, o primeiro impacto a ser analisado é a camada de óleo por cima da água. Quando despejado na água, as propriedades químicas e físicas dele não possibilitam sua dissolução, nem que afunde. A densidade, que é uma propriedade específica de cada substância, sendo a razão de massa por volume (ou seja, determinando a quantidade de matéria presente em uma unidade de volume), ajuda a compreender fenômenos como o fato de alguma substância boiar ou não em determinado líquido ou um líquido ficar acima ou afundar em outro. A densidade do óleo (aproximadamente 0,9 gramas por centímetro cúbico), portanto, sendo menor que a densidade da água (1 grama por centímetro cúbico), faz com que o óleo não afunde na água e crie uma camada de óleo acima da água. A película pode causar a falta de oxigênio e luz na região afetada, impossibilitar trocas gasosas entre o ar e a água, a vedação dos estômatos das plantas e órgãos respiratórios dos animais.

Além disso, o óleo na água influi também na quantidade de nutrientes presentes e pode ocasionar a proliferação de algas por um fenômeno conhecido como eutrofização. A eutrofização é um processo que, pelo excesso de nutrientes na água de lagos, represas e lagoas, especialmente nitrogênio (N) e fósforo (P), favorece a proliferação proliferação de microrganismos aeróbios, que utilizam os abundantes nutrientes em sua alimentação. O aumento na população de microrganismos aeróbios leva a um grande consumo do oxigênio dissolvido na água, reduzindo drasticamente sua concentração. Os animais aquáticos (peixes, crustáceos, moluscos…) morrem por asfixia devido às baixas concentrações de oxigênio. Os corpos destes animais logo começam a entrar em decomposição, aumentando ainda mais o número de microrganismos que contribuem para baixar ainda mais a concentração de oxigênio.

As populações de microrganismos aeróbios começam a diminuir pela falta de oxigênio, dando espaço para a proliferação de microrganismos anaeróbios. Grande quantidade de sais minerais (principalmente fosfatos e nitratos) provenientes dessa massa morta (organismos mortos e esgoto) em decomposição começa a se misturar na água. A grande quantidade de sais minerais favorece o aparecimento e proliferação de plantas aquáticas e algas pluricelulares que se instalam na superfície da água dificultando a passagem da luz para as camadas inferiores da coluna d’água. Tendo sua fotossíntese bloqueada pela ausência de luz, as algas bentônicas começam a morrer, diminuindo ainda mais a quantidade de oxigênio dissolvido.

Impactos nas cidades

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Por meio do descarte incorreto do óleo de cozinha na pia ou no ralo domiciliar, a concentração em excesso entope a tubulação. O cano fica fechado por causa da gordura, parecendo um cimento. O óleo danifica tanto uma tubulação de casa ou apartamento como também a de rua. Todo o sistema da rede de esgoto fica prejudicado, e o gasto para o tratamento deste óleo é enorme. E quando não passa pela estação de tratamento, quando isto vai para o rio direto ou para o mar, a cadeia de gordura demora meses para se desfazer. “Quando você vê espuma na praia é gordura que saiu do esgoto” explica a coordenadora do Programa de Reaproveitamento de Óleos Vegetais (Prove) do Inea, Carmem Lucariny.

Sendo assim, o acúmulo de gordura em passagens de esgoto pode causar entupimento, refluxo ou mesmo o rompimento de redes. Em rios, lagoas e mares, o despejo de gordura sem nenhum tratamento pode matar espécies aquáticas ao prejudicar a oxigenação destes ecossistemas, entre outros danos.

De acordo com a gestora de meio ambiente da Unidade Centro da Sabesp (empresa responsável pelo sistema de águas e esgotos do Estado de São Paulo), Sônia Oliveira, o óleo não deve ser jogado no ralo da pia da cozinha, banheiro ou outros locais. “O resíduo vai para a rede de esgoto e diminui o diâmetro do encanamento doméstico e também do interceptor que fica na rua. Pode causar o entupimento”, explica.

Ela também informa que o óleo frio se solidifica na rede de esgoto e forma uma “crosta” que, às vezes, é difícil de tirar e demanda uma desobstrução complexa do esgoto. “Todo este transtorno pode ser evitado com o descarte correto do óleo de cozinha”, afirma. A profissional também esclarece que jogar o produto no lixo não é recomendável. “Quando chega ao aterro sanitário, o óleo pode ultrapassar o solo e atingir até o lençol freático”, destaca Sônia.

Ademais, por meio do descarte do óleo no meio ambiente (ocasionando a impermeabilização do solo), tal prática resulta em danos ambientais e coloca em risco a vida de diversas comunidades em períodos de chuvas torrenciais e enchentes. Além disso, ao passar pelo processo de decomposição junto a outras matérias orgânicas, gera formação de metano que possui mau cheiro e é o principal gás do aquecimento global.

O consumo de óleo no país é de quinze litros por brasileiro/ ano. Quando o óleo é despejado na pia e cai na rede de esgoto doméstica, boa parte dele gruda nas paredes das tubulações e absorve restos de alimentos. Como consequência, sistemas de encanamento e caixas de gordura ficam entupidos e isso pode estimular o aparecimento de baratas e ratos. É importante notar que as estações de tratamento de água e esgoto não estão preparadas para receber grandes volumes de óleos despejados diariamente pelas residências. A Sabesp informa que 1 litro de óleo de fritura pode contaminar até 25 mil litros de água.

Em contrapartida, o descarte correto permite a reciclagem do resíduo e a produção de produtos que vão gerar renda e ajudar a movimentar a economia. O mais importante deles é o biodiesel, combustível mais limpo do que os fósseis em uma proporção de até 70%. Cerca de 2.000 ônibus na cidade de São Paulo já utilizam biodiesel, o que equivale ao plantio de 1,5 milhão de árvores devido à redução das emissões de poluentes propiciada pelo uso desse combustível. Pensando no reaproveitamento do óleo vegetal com a finalidade de proteger o meio ambiente e abrir mercado para cooperativas de reciclagem, a Secretaria do Ambiente e o Inea (Instituto Estadual de Ambiente) vêm trabalhando para garantir que mais condomínios, pessoas e empresas se conscientizem da importância do descarte correto do óleo de cozinha no Estado do Rio.

Como descartar adequadamente o óleo de Cozinha?

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  • Separe o óleo de cozinha usado;
  • Se houver resíduos de comida, peneire-o;
  • Coloque o óleo dentro de uma garrafa pet de refrigerante ou água. A garrafa deve estar limpa e seca e o óleo deve estar frio;
  • Verifique se a garrafinha está bem fechada;
  • Deposite a garrafinha no PEV – Ponto de Entrega Voluntária mais próximo da sua residência;
  • Estabelecimentos comerciais e condomínios e associações de moradores podem aderir aos programas;
  • Muitas empresas, escolas, ONGs e associações comerciais dedicam-se a essa coleta. Informe-se;
  • Alguns programas trabalham com sistema de pontos em que você pode ganhar produtos de limpeza pela troca.

4 comentários em “Impactos Ambientais do descarte inadequado do óleo de cozinha

  1. Parabéns pela publicação deste relevante conteúdo. A responsabilidade com meio ambiente deveria ser ação comum, presente não apenas no Brasil, mas em todo mundo.. Estamos partilhando esta publicação em nossa fan page face Grupomoneybr…Abraço fraterno! Oliveira, WA

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