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Sua dor não é frescura e muito menos a dor do outro

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Você já acreditou que os seus sentimentos ou problemas eram frescura? Já pensou isso de alguém? Acredite, você não está sozinho, mas esse pensamento pode ser extremamente prejudicial tanto para você quanto para as pessoas ao seu redor. Eu resolvi falar sobre isso hoje porque eu tenho visto várias pessoas passando por problemas psicológicos mas que, por não os considerarem grandes ou válidos o suficiente, acabam não buscando por ajuda e isso só piora a situação pela qual elas estão passando. Por esse motivo, o intuito desse texto é discutir alguns dos problemas mais comuns que eu vejo e que merecem sim um tratamento decente, além de refletir um pouco sobre o nosso ritmo de vida na sociedade e a pressão exercida diariamente nas pessoas ao nosso redor e em nós mesmos.

Todos os dias, inúmeras pessoas sofrem caladas com problemas psicológicos que podem surgir de várias formas diferentes, mas elas acabam não procurando ajuda por acharem que isso não é um problema real ou que ainda não chegou em um estágio em que precise ser realmente tratado. Alguns desses problemas têm origem genética, outros ambiental, alguns ocorrem por conta de acontecimentos traumáticos, mas a maioria é, em uma grande parte dos casos, ocasionada por uma combinação de todos esses fatores. É importante mencionar que a maioria dos transtornos psicológicos possui graus variados de intensidade, mas isso não define em nenhum momento a validade do problema e a necessidade de se buscar por ajuda.

A depressão, por exemplo, é uma doença extremamente estigmatizada, principalmente no meio juvenil, em que várias vezes o jovem com depressão é menosprezado pelo fato de ainda não possuir idade o suficiente para “ter e se preocupar com problemas reais”. Além disso, o padrão do que seria um típico “adolescente depressivo”, em que a pessoa está sempre cabisbaixa, nunca sorri, tira notas baixas e não tem interesse em nada acaba afetando outras pessoas que também sofrem de depressão mas não seguem esse estereótipo. Como um exemplo, eu conheço diversas pessoas que são amplamente reonhecidas pelo seu alto desempenho acadêmico, tendo ganhado medalhas e participado de diversas feiras e atividades extracurriculares, mas que possuem depressão e não conseguem ajuda por conta do estereótipo que circula no imaginário social acerca de como é ser uma pessoa com doença.

Por mais que uma maioria esmagadora das pessoas pense isso, ter depressão não é somente se sentir triste o tempo todo. Na verdade, muitas vezes a pessoa com depressão sente apenas um “sentimento” de vazio durante a maior parte do tempo. Esse grande “nada” é muito difícil de ser explicado, mas ele geralmente está associado com a perda de interesse, sendo acompanhado da tristeza, solidão e outros sentimentos negativos. No entanto, isso não impede que a pessoa se torne incapaz de vivenciar momentos descontraídos e felizes durante a depressão. Ao contrário da opinião comum, pessoas com depressão conseguem sim sorrir ou ter bons momentos com os amigos, tudo isso depende apenas de como a depressão afeta o organismo e a mente de quem a possui.

Dentro desse contexto, além da depressão, existem diversos outros tipos de doenças psicológicas que podem surgir em pessoas comuns. A Dismorfia corporal, muito relacionada a transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia, também se encontra extremamente presente na sociedade, principalmente em mulheres. Esses transtornos são quase sempre associados à vaidade e padrões de beleza, o que prejudica e desestimula a pessoa que está sofrendo com isso a procurar auxílio e ajuda profissional. Ao contrário do que é o senso comum, essas doenças podem surgir por conta de diversos fatores ambientais e inclusive genéticos, sendo muito associados a outras doenças psicológicas tais como a depressão e o transtorno de personalidade borderline.

A ansiedade, por sua vez, se configura como um mal que está afetando cada vez mais pessoas por conta de toda a pressão exercida em cima de nós, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Te dizem que você precisa tirar notas boas na escola, te dizem para ir bem no vestibular, te dizem para escolher um curso que você goste mas que ao mesmo tempo seja lucrativo, te dizem para ir bem na faculdade, arranjar um emprego, arrumar um relacionamento estável, socializar com os amigos e, enfim, ser alguém na vida e agradar a todos. O problema disso é que quanto mais você tenta agradar aos outros, menos você consegue agradar a si mesmo. Isso acontece porque você passa a se importar tanto com o que os outros pensam que você deixa de ter seu próprio pensamento sobre as coisas que você gosta, o que você quer fazer, qual a sua verdadeira opinião e assim por diante. Além disso, toda essa pressão também leva as pessoas a desenvolverem uma preocupação incessante acerca do futuro. “E se eu escolher o curso errado e me arrepender depois?” “E se eu não conseguir um emprego?” “E se eu nunca passar na faculdade?” Essas são perguntas que eu já ouvi diversas vezes de colegas e amigos e também já me peguei pensando sobre elas durante um longo tempo.

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Nós fomos ensinados a seguirmos sempre o mesmo padrão, o mesmo ritmo. Mas acontece que ninguém é igual. Todos possuímos nossas características e vontades que nos diferenciam dos demais e isso com certeza afeta esse ritmo que nos foi pré-determinado. Como um exemplo, várias pessoas gostariam de tirar o chamado “Gap year”, que é quando você tira um ano para descobrir quais são seus maiores interesses e se encontrar como indivíduo, com seus defeitos, qualidades, metas e sonhos para o futuro. No entanto, a maioria não o faz por medo de isso atrasar sua vida, haja vista que isso atrasaria em um ano a graduação na faculdade e, consequentemente, todas as outras coisas que a seguem, como emprego, estabilidade, independência, etc. Mas.. será mesmo que tirar um tempo para se descobrir e entender mais sobre as suas próprias vontades, desejos e opiniões é uma perda de tempo? Não seria esse pensamento fruto de uma sociedade cada vez mais doente que te faz pensar que a sua saúde mental e autoconhecimento não importam por não trazerem resultados quantitativos e materiais rápidos?

Enfim, eu deixo essa reflexão em aberto para vocês pensarem um pouco sobre isso, mas eu realmente espero que esse texto não tenha ficado muito confuso. Eu precisava muito  falar sobre isso porque eu vejo que esse é um problema muito comum e com consequências extremamente nocivas para quem acaba por pensar desse jeito ao não priorizar a saúde mental. Sua dor, seja física ou psicológica, não é frescura. Não importa o que você esteja passando, se você está sentindo que isso afeta a sua vida pessoal, familiar ou profissional, a melhor coisa a se fazer é buscar por ajuda. Além disso, está tudo bem prezar pela sua saúde psicológica acima de tudo, mesmo que isso signifique procurar ajuda e ir contra a opinião comum de que você nunca está “doente o suficiente”.

Não escute quem invalida os seus sentimentos, não escute quem está sempre te colocando para baixo ou te fazendo sentir mal com você mesmo. Se isso acontecer, se afaste dessas pessoas e continue sempre prezando pelo seu bem-estar, porque, no final do dia, a única pessoa que você sempre vai poder contar, independente de qualquer circunstância, é você mesmo.

#SetembroAmarelo 

Bem, espero que esse texto tenha sido útil de alguma forma. Psicologia é um tema que eu considero extremamente interessante e eu gostaria de entrar com mais profundidade em alguns dos assuntos mencionados aqui (como depressão, ansiedade e transtornos alimentares) e muitos outros que também são igualmente nocivos mas que as pessoas geralmente não possuem tanto conhecimento sobre (como borderline, síndrome do pânico, bipolaridade, personalidades múltiplas, etc). Caso vocês tenham gostado desse tipo de texto e gostariam que eu continuasse postando sobre temas relacionados com psicologia, por favor comentem abaixo e sintam-se totalmente livres para oferecer sugestões ou críticas,
Até o próximo post ❤

2 comentários em “Sua dor não é frescura e muito menos a dor do outro

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